Diversidade como fator estratégico para a inovação

Muito embora a diversidade ainda esteja comumente associada a grupos considerados minoritários, a definição mais adequada é aquela que transcende gênero, raça, etnia, diversidade sexual, pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida, gerações e outros parâmetros, concentrando-se, sobretudo, na pluralidade de pensamento, formas de criar e aprender, que são o motor da inovação.

Em determinada oportunidade de ouvir uma palestra da Rachel Maia – CEO, mulher e negra -, ela trouxe a perspectiva de que “não basta apenas ser símbolo da equidade. No final do mês eu preciso ser boa nos números”, trazendo a reflexão de que a valorização da diversidade no ambiente corporativo deve se refletir não apenas no bem-estar dos colaboradores, mas consequentemente em sucesso financeiro para as organizações.

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Descrição da imagem para cego ver: Amanda está ao lado da Rachel Maia. Ambas estão abraçadas e esboçando um leve sorriso

Nos mercados altamente competitivos há cada vez menos espaço para culturas organizacionais opressoras, nas quais o diverso é reprimido, visto que em tais contextos há uma tendência de que profissionais, mesmo com diferentes perfis, tragam soluções tradicionais, bloqueando a criatividade. Entretanto, quando a diversidade é adotada em sentido amplo, ela se torna um fator de desenvolvimento de pessoas, já que possibilita que os profissionais se sintam respeitados, emitindo mais livremente opiniões e trazendo ideias que desafiem o atual status quo.

Assim, incluir o aprimoramento da gestão da diversidade na pauta da agenda corporativa tem se mostrado uma excelente estratégia para alavancar os resultados e diferenciar a empresa em temas relevantes como inovação. A presença de pessoas com diferentes bases culturais e mindsets variados contribui para um olhar sem fronteiras sobre possibilidades de negócio. Isto porque a individualidade e a diversidade dos colaboradores proporcionam que habilidades e experiências diversas trabalhem juntas, o que oferece um espaço rico para gerar ideias e soluções únicas para clientes e parceiros de negócio. Desta forma, diferenças de background, origem e cultura dos profissionais, aumentam as chances de que o ambiente provoque a inovação.

O que mostram as pesquisas

Diversas pesquisas revelam que há uma conexão significativa entre diversidade e performance financeira das empresas. Seria leviano afirmar que a relação é de simples causa e consequência, mas fica evidente que as Companhias mais avançadas na questão de gênero e etnia, por exemplo, são também aquelas que têm um desempenho melhor.

Empresas como a Monsanto descobriram há pouco essa relação, na prática. Na tentativa de aumentar a satisfação de pessoas com deficiência, mulheres e negros em seus quadros, a empresa criou um “indexador de diversidade” para identificar as lideranças mais engajadas com o tema dentro da organização. O resultado mapeado foi que as equipes com maior diversidade e com os gestores mais empenhados em promover inclusão eram as que tinham os melhores resultados, evidenciado através de uma performance de 9, em uma escala de zero a dez, nos times com melhor gestão da diversidade, ante a média de 6 dos demais.

Um estudo de 2015 feito com 170 empresas brasileiras pelo Hay Group e publicado na revista Harvard Business Review, mostra que cerca de 76% dos funcionários das companhias que se preocupam com a diversidade reconhecem que têm espaço para expor suas ideias e inovar no trabalho. Já nas empresas que não têm a diversidade como pauta, esse número cai para 55%. A pesquisa ainda aponta que onde a diversidade é reconhecida, os funcionários estão 17% mais engajados e dispostos a ir além das responsabilidades formais.

Mudanças em longo prazo

Na busca por culturas mais inclusivas, poucas coisas são tão fundamentais como o real interesse das lideranças pelo tema ou, pelo menos, a real abertura para refletir sobre os padrões institucionais. Serão eles os responsáveis por patrocinar as ações internas de valorização da diversidade.

É evidente que as empresas brasileiras ainda estão muito distantes de valorizarem deliberadamente a diversidade e a usarem em favor da sua busca por competitividade. O que vemos é que ainda há um longo caminho a ser percorrido.  Mas, mesmo que que seja longo, o caminho da diversidade parece ser irreversível. Em tempos de tantas manifestações explícitas de intolerância, o fortalecimento deste movimento dentro das empresas é, sem dúvida, algo a comemorar.

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