Quão diverso é o seu grupo de amigos?

Em um dos últimos Congressos que participei, assisti uma palestra onde o foco do debate era o processo de criatividade dos executivos no ambiente corporativo. Muito embora tenham sido expostas diversas perspectivas, uma delas me chamou atenção: estes profissionais leem os mesmo jornais, participam de formações semelhantes e, muito provavelmente, até suas formas de lazer são estruturadas de formas parecidas e esse é um dos maiores desafios para que pensem “fora da caixinha” e para que possam criar, inventar, desenvolver e estejam mais livres dos processos de benchmark, que em alguns momentos parece ser muito mais um processo de cópia e cola, reproduzindo propostas que são apenas mais do mesmo. É claro que não é exatamente a homogeneização que inibe a criatividade, mas, certamente, possui uma contribuição significativa dentro deste processo.
Se a homogeneização não é saudável para o processo de inovação nas organizações, qual impacto ele traz na nossa vida pessoal e nosso processo de crescimento e autodesenvolvimento?
Ser uma pessoa com deficiência aumenta significativamente as chances de ter certo conhecimento de causa sobre essas perguntas. Desde reflexões aparentemente simples, como um amigo que, até me acompanhar em uma sessão de cinema, nunca tinha percebido a altura pouco inclusiva de um balcão de ingressos até aquelas transformações profundas, que nunca acontecem em uma via só, mas que trazem benefícios para todos os envolvidos.

No mínimo, a convivência com pessoas que possuem necessidades diferentes das nossas, variadas perspectivas, backgrounds, experiências pessoais, amplia nosso olhar sobre o mundo e nos permite refletir, questionar e, se necessário, substituir crenças que, algumas vezes, são extremamente apequenadoras.
Acontece que muita gente ainda encara a diversidade como um buzzword sem, realmente, compreender a imensidão do seu termo e o seu profundo significado. Tive diversos amigos na infância e era incrível, após o estranhamento inicial causado pela minha condição física, o quanto eles se sentiam felizes ao me ajudarem em algumas situações, o quanto era rico para eles e para mim, os nossos estudos e trabalhos em grupo. Era uma oportunidade única de fortalecimento da nossa autoestima. Sim, ser aceito e valorizado em relações sinceras de amizade é uma das fontes para o fortalecimento da nossa autoestima, sobretudo durante a infância. Além disso, a diversidade nos nossos relacionamentos nos faz mais humanos. Talvez esta seja a maior lição de um dos filmes mais esperados de 2017: “Extraordinário”. Um garoto que nasce com uma malformação congênita na face e vai frequentar uma escola regular, é desafiado a conseguir se encaixar em sua nova realidade. Ao ser atacado pelas reações de outras crianças, que o adjetivam como “feio e esquisito”, todos acabando aprendendo sobre como lidar com diferenças e a transformação.

O autoconhecimento e desenvolvimento envolve muito mais do que a tolerância ao diferente, porque tolerância envolve a ideia de “suportar” algo. É fundamental respeitar e reconhecer a legitimidade do outro em ser e perceber o mundo de acordo com suas perspectivas. É ir além, estando aberto a exercer a empatia e também rever as próprias perspectivas. Então, parafraseando uma das mais famosas músicas da banda Scambo: “Passe dos limites da sua casa, da sua turma. Se comunique sem nenhum tipo de rótulo. Supere seus limites. Não se conforme com a informação. Busque, atreva, ultrapasse os muros impostos. Atravesse a linha do seu horizonte. Eleve seu espírito como um flash sem destino, em todas as direções”

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Descrição da imagem para cego ver: Dois bonecos sorrindo e com os rostos próximos

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