Como funciona a mente

Lembro-me do auge de meus oitos anos, usando o vestido vermelho favorito e carregando meus cachinhos na cachola em um aniversário infantil. Como eu adorava conversar com os desconhecidos, recebi com um largo sorriso uma senhora que se aproximou de mim e afirmou que eu poderia ser curada. Com a pureza de uma criança, retruquei que eu não estava em busca de cura, afinal não estava doente. Talvez aquela senhora tenha se despedido de mim achando que eu ainda era muito inocente e que um dia eu compreenderia algumas coisas na vida. O curioso é que eu fui embora pensando a mesma coisa sobre ela.

É assim que muitas vezes seguimos a vida: sem questionar se as nossas percepções estão limitadas. Como se estivéssemos presos na caverna, compreendemos o que acontece com o mundo exterior através de sombras projetadas nas paredes internas.

Isso é o que chamamos de realidade subjetiva: aquilo que conseguimos perceber através dos sensores neurológicos (visão, audição e sensações físicas) e que é filtrada e distorcida pelos nossos valores, crenças, significados, objetivos pessoais e estado emocional.

Acontece que é muito comum confundirmos a realidade subjetiva pessoal com uma verdade absoluta. Essa perspectiva impacta diretamente na qualidade da nossa comunicação, visto que quando nos comunicamos, tentamos transmitir a compreensão particular de uma determinada situação externa.

Um dos pressupostos de excelência da PNL diz que “O mapa não é o território”, retratando justamente que a nossa realidade subjetiva não é a realidade apresentada no mundo exterior. Nesse contexto, o mapa nada mais é do que uma metáfora que nos permite entender e agir sobre os dados percebidos de fontes exteriores.

O mapa deve ser rico de informações da melhor qualidade para que possamos agir sobre o mundo exterior de maneira mais segura e eficaz. O que não se deve fazer é confundir o mapa, que representa a realidade, com a própria realidade.

Filtros mentais

Nosso filtro de percepção pode ser compreendido através de poderosos mecanismos, os quais têm o poder de permitir ou bloquear a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal.

O primeiro deles é a generalização, processo que afasta as informações da experiência original para que ela passe a representar toda uma categoria. A generalização é responsável pela capacidade de aprendizagem acelerada.

Já na eliminação concentramos seletivamente a nossa atenção em certos aspectos e excluímos outros. Esse filtro irá eliminar todas as mensagens que você não acredita serem verdadeiras ou relevantes, segundo seus valores e crenças.

Outro recurso mental é a distorção, que nos permite fazer substituições e alterações no conteúdo da memória e na maneira de pensar sobre nossas experiências. As crenças fazem uma pessoa distorcer, inconscientemente, suas experiências para torná-las coerentes com aquilo em que ela acredita.

O produto final dessa filtragem é o nosso mapa e os filtros podem ser enriquecedores ou limitantes na proporção direta de nossas experiências pessoais, de nosso sistema de crenças e valores, dos nosso objetivos, nível cultural e intelectual.

Preciso ser curada?

Não sei se você acredita que aquela senhorinha que cruzou meu caminho estava correta, não sei se você acha válida a perspectiva da garotinha que eu era aos oito anos, o fato é que o que percebemos é dramaticamente determinado por nossos paradigmas. O que é visível e óbvio para uma pessoa com um paradigma pode ser invisível para outra, que tenha um paradigma diferente.

Verdades absolutas não existem e a prática de agir com empatia envolve compreender e respeitar que pessoas diferentes têm seu próprio modelo representativo dos acontecimentos, que, por mais estranho que possa nos parecer, tem muito sentido no contexto de cada um.

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