Veneza – a falta de acessibilidade do destino romântico

Quando começamos a planejar a nossa viagem de lua-de-mel, uma das poucas certezas que tínhamos era de que a Itália não poderia ficar de fora do roteiro. A partir dessa decisão, Veneza passou a figurar no topo da nossa lista de lugares para conhecer.

A ilha, além de ser famosa pelo seu charme e romantismo, também pode ser lembrada pela pelas ruas e vielas pouco acessíveis. E foi em busca dessa mistura de desafio e diversão que nós fomos!

Onde ficar

Para diminuir as chances de ficarmos expostos a um alagamento em Veneza, que foi exatamente o que aconteceu quando estávamos lá, nos hospedamos em Mestre, um vilarejo fora da ilha e mais próximo ao aeroporto. Os hotéis situados nesta região, além de serem mais baratos, possuem infraestrutura com mais acessibilidade.

Assim, escolhemos o Hotel Best Western Titian, que é ideal para quem quer economizar sem perder o conforto. Entretanto, quando chegamos ao nosso quarto, notamos que “acessível”, mesmo, só havia o nome. Uma das primeiras dificuldades foi utilizar o banheiro, visto que as pias na Itália são grandes e eu não entendi muito bem como aquele desenho pode trazer autonomia às pessoas com deficiência. Somado a isso, o banco para banho era complemente instável e arriscado. Apesar deste ponto de melhoria, o hotel conta com um bom café da manhã, pelo qual é cobrado um valor de €5 por dia, os funcionários são solícitos e os ambientes limpos e bem cuidados.

Chegamos em Veneza por volta da meia-noite e pagamos pelo táxi o valor tabelado de 20 euros, em um percurso que durou menos de 5 minutos. Entretanto, para quem chega ou sai até às 23h, o Best Western oferece o transfer no valor de € 2,5.

É importante lembrar que mesmo estando fora da ilha, será necessário pagar o imposto de turismo que é diário, conforme a categoria do hotel e a temporada da estadia.

O que fazer

Dia 1

Para aproveitarmos o nosso primeiro dia de passeio, pegamos um ônibus que saiu de Mestre com direção à Piesa de Roma. Os ônibus que fazem este trajeto são acessíveis e a pessoa com deficiência e seu acompanhante não pagam passagem.

Ao desembarcamos, seguimos para comprar os bilhetes para o Vaporetto, transporte que conduz as pessoas pelo grande canal. Neste caso, apenas a pessoa com deficiência não paga pelo deslocamento.

Paramos em San Marco e fomos conhecer um dos pontos turísticos mais famosos da ilha: a Praça San Marco. Apesar de não estar chovendo quando chegamos, a praça já está levemente alagada em alguns pontos. Somado a isso, fortes ventos dificultavam explorar as ruas das redondezas.

Assim, aproveitamos o tempo ruim para visitar o Palazzo Ducale, que é um dos símbolos da glória e do poder de Veneza. Era a residência do Doge, a sede do governo, dos tribunais e da prisão da República de Veneza. Além de ser um dos poucos passeios acessíveis, é gratuito para a pessoa com deficiência e seu acompanhante.

Em seguida, fomos visitar a Basílica di San Marco, porém acabamos desistindo, já que, para entrar, era necessário atravessar uma passarela que não contava com qualquer segurança. Então, foi melhor substituir a visita sem acessibilidade à Basílica por experimentar o spaghetti italiano no ristorante Piccolo Martini. E essa é uma dica de ouro pois o restaurante é bom, barato e ao lado da Piazza San Marco.

Após o almoço, encaramos a aventura de fazer o passeio de gôndola. Confesso que fiquei quase desesperada quando entrei naquele barquinho instável, que rendeu muitos risos de nervoso! No final das contas, foi tudo lindo e inesquecível! Realmente é uma experiência para guardar pelo resto da vida! O investimento para desfrutar esse momento único foi 80 euros.

Terminamos o dia aproveitando uma boa pizza italiana e tomando um bom vinho.

Dia 2

No segundo dia já estava chovendo bastante, mas ainda assim resolvemos encarar a aventura de seguirmos para a ilha novamente. O vento estava muito forte e a água já estava inundando as ruas desde o ponto de saída do Vaporetto, Nesse dia foi bem mais difícil curtir a região devido às fortes chuvas, mas aproveitamos para explorar um pouco mais da culinária italiana, fazer algumas comprinhas de muranos e registrar a beleza de uma Veneza ainda mais inacessível: debaixo d’água. Durante o passeio, encontramos dois acalentos para um turismo que não está preparado para todos: rampa em uma das suas muitas pontes e um banheiro com boa acessibilidade.

Dia 3

Nossa despedida de Veneza, em um dia com muita chuva e ventania, não poderia ser diferente: fomos almoçar no Eden Venezia e degustar mais da boa comida italiana.

Antes da nossa viagem de partida, Veneza estava com inundação em torno de 1 metro e 60 cm devido ao mau tempo, o que dificultou a nossa partida.

Encarar desafios com quem topa tudo contigo, é maravilhoso. Mas, nada é tão bom quanto ter a nossa própria autonomia, não é mesmo? Então, Veneza é linda e inesquecível, mas poderia ser melhor, se fosse para todos.

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