Paris: a acessibilidade da cidade luz

A maravilhosa Audrey Hepburn tinha toda razão quando disse que Paris é sempre uma boa ideia. Além de ser um destino deslumbrante, você sempre vai encontrar algum programa parisiense muito bom para fazer. E o melhor: a maioria deles são acessíveis para pessoas com deficiência.

E para chegarmos a uma das cidades mais famosas da Europa, nós voamos com a Air France. Já começamos a avaliar a acessibilidade da viagem quando entramos na aeronave e pedi para ir ao banheiro usando a cadeira de rodas especial. Neste contexto, a capacitação da tripulação foi fundamental para garantir a segurança e conforto durante as horas de voo.

Já em Paris, optamos por ir ao hotel de táxi. Para quem não quiser pagar o valor tabelado de 55 ou 50 libras, a outra opção é pegar o ônibus que sai do aeroporto e tem destino final na ópera garnier e, então, pegar outro ônibus, uber ou táxi.

Onde ficar

A escolha do hotel foi um dos itens de mais atenção para a nossa viagem. Priorizamos a localização e garantia mínima de acessibilidade e ainda “ganhamos” uma excelente vista da cidade. O Adágio Hotel Torre Eiffel é muito bem localizado e, apesar da sua estrutura ser mais antiga, nós tivemos uma excelente estadia, que contou com uma vista incrível e a possibilidade de preparar refeições rápidas na cozinha do apartamento. Não era um quarto completamente acessível, mas espaçoso o suficiente para eu me locomover bem. Recomendamos.

O que fazer

Dia 1

É possível admirar a arquitetura francesa e não achar lindíssima? Você pode passar horas andando pelas ruas e imaginando como aqueles prédios são por dentro, como será morar em um deles e sentar nessas varandas francesas tão lindas e charmosas. Passamos grande parte do primeiro dia aproveitando a acessibilidade das ruas parisienses e apreciando cada detalhe e, sem dúvida, foi uma das coisas que mais adoramos fazer em Paris.

Para completar o roteiro do dia, subimos a Torre Eiffel. Esse foi um dos passeios pouco acessíveis para cadeirantes e, em nossa avaliação, não tão atraente porque ver a cidade de cima não retrata tão bem a beleza da maioria dos pontos turísticos. Se você decidir incluir em sua viagem, fique atento porque a pessoa com deficiência deve adquirir o ingresso que custa 4 euros e seu acompanhante, o ingresso no valor de 16 euros.

Dia 2

Começamos nosso segundo dia pelo ponto turístico mais inacessível da nossa viagem: o Arco do triunfo. O trajeto inclui uma passagem subterrânea que só pode ser acessada por escadas, assim como a subida à vista. Nada de elevador ou qualquer instrumento para promover a acessibilidade de pessoas com deficiência.

Naturalmente decepcionados, seguimos pela avenida mais famosa do mundo e a mais movimentada de Paris, a Champs-Elysees. A experiência negativa do destino anterior foi rapidamente amenizada pelo agradável passeio entre os cafés, lojas renomadas e pelas comprinhas ao longo dos quase 2 km da Champs. É muito bom ter a oportunidade de andar pelas ruas sem se deparar com rampas e obstáculos que retiram completamente a nossa autonomia. Empolgados com a oportunidade, seguimos caminhando até o Grand e Pétit Palays e, em seguida, até a Praça da Concórdia.

Aproveitamos o final da tarde para conhecer a belíssima Ponte Alexander III. Aliás, as pontes de Paris… quem não adora cruzar o rio Sena de um lado a outro? Cada uma dessas pontes tem sua própria história e significado para a cidade. Elas levam você ja diversos lugares maravilhosos e proporcionam ângulos únicos para fotos.

Ainda houve tempo para conhecermos o Hotel dos Inválidos e Museu de Armas, que possui uma entrada de pedras não muito agradável para que usa rodinhas para se locomover. Foi uma visita rápida porque queríamos chegar ao Campo de Marte antes de anoitecer, pois é um dos melhores lugares para fazer fotos com a Torre Eiffel sem precisar disputar espaço com inúmeras pessoas.

Foi um dia bastante cansativo, mas super especial, principalmente porque conseguimos aproveitar o dia fazendo todos os passeios andando pelas ruas da cidade. Vale muito a pena a experiência!

Dia 3

Para encararmos os 6 graus de temperatura, resolvemos conhecer a modalidade da Uber voltada para atender às pessoas com mobilidade reduzida. Foi uma experiência impecável: mesmo preço, motorista solícito e preparado e um carro que chegou super rápido para nos atender.

Desembarcamos nos Jardins de Luxemburgo e encontramos mais um lugar acessível e agradabilíssimo para caminhar, fazer um piquenique ou simplesmente contemplar a natureza.

Seguimos para o Panteão e já fomos bem recebidos com uma rampa maravilhosa que dava acesso à entrada que, inclusive, é gratuita para a PCD e seu acompanhante. Acontece que o interior do prédio não é tão simpático quanto a sua entrada e as escadas restringiram os espaços que pudemos conhecer.

Após almoçarmos, fomos conhecer a Catedral de Notre Dame e mais uma vez ficamos encantados com a opulência da arquitetura francesa. Infelizmente, assim como o Panteão, a parte interna da Catedral não era acessível, mas conseguimos aproveitar o que era possível: desde receber os pombos em nossas mãos para darmos comida, passando pela contemplação de cada detalhe da ala central da Catedral até receber as bênçãos de um padre para o nosso casamento.

Finalizamos o dia no passeio que, para mim, foi o mais emocionante de todos: o Museu do Louvre. Nosso acesso foi gratuito e podemos afirmar que o Louvre dá um show quando o assunto é acessibilidade. Se você tiver apenas um dia em Paris e quiser uma dica de qualquer lugar você precisa visitar, certamente é esse. Além das suas enigmáticas pirâmides, a beleza desse lugar e a atmosfera que emana história se misturam e nos envolve de uma maneira única. Nos “perdemos” entre as inúmeras obras de arte e no final da noite ainda houve tempo para tomar um chocolate quente enquanto admirávamos a beleza daquele lugar todo iluminado. Menos um item em nossa bucketlist!

Dia 4

Ao contrário da excelente experiência com a uber e com os ônibus em Paris, a acessibilidade do Metrô é muito precária. Descobrimos isso quando utilizamos ele como opção para chegarmos até Versalhes. Aliás, se você quiser descobrir o verdadeiro significado de “ostentação”, deve ir conhecer o Palácio de Versalhes.

Ao iniciarmos o passeio no palácio, fomos poupados de uma enorme fila para comprar os ingressos e para o acesso à entrada. Apesar da parte inicial do passeio não ser tão amigável para pessoas com mobilidade reduzida, os funcionários são preparados e super solícitos para lidar com as necessidades deste público específico.

Ao longo do dia, fomos conhecendo cada detalhe do Palácio, passando pelo grande salão de espelhos, e descobrindo um pouco da história do lugar através do audioguia. Aproveitamos para almoçar no famoso restaurante Angelina e, já no final da tarde, seguimos para os inesquecíveis jardins do Palácio.

Ainda encantados com o luxuoso Palácio de Versalhes, e com a acessibilidade que possibilitou explorar toda a sua construção, terminamos o dia no restaurante l’entrecôte de Paris, com um típico jantar francês: l’entrecôte e creme brulée.

Dia 5

Em nosso penúltimo dia fomos conhecer a glamourosa Galeria Lafayette, uma loja departamento onde é possível se perder em meio às marcas mais famosas do mundo, comer provavelmente, os mais caros macarrons da sua vida, e para os mais consumistas, sonhar em sair de lá cheios de sacolas de compras! Como era de se esperar, além de mais beleza em sua arquitetura, um passeio super acessível para pessoas com deficiência.

Mas, antes de irmos para a Lafayette, paramos na loja da lindt, pois não dava pra perder a chance de experimentar aquela sobremesa dos deuses!

Dia 6

Antes de partimos, fomos conhecer mais um excelente lugar para fazer belas fotos com a Torre Eiffel ao fundo. O Trocadéro não é um espaço acessível, mas se você tem mobilidade reduzida e não quiser deixar de visitá-lo, recomendamos desfrutar dos seus jardins, onde você terá acesso com mais facilidade.

Querida Audrey, a cidade-luz é sempre uma boa ideia porque além de deslumbrante, nela o amor é acessível para todos!

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