Londres: acessibilidade na terra da Rainha

Procurando um destino europeu amigável para pessoas com deficiência? Então, seu lugar é Londres! Podemos dizer, sem hesitar, que além de ser uma cidade fascinante, é um dos destinos mais acessíveis que já visitamos. Ficamos encantados com a dignidade que pudemos desfrutar com a acessibilidade na terra da Rainha.

Nossa estadia durou cinco dias e foi o penúltimo destino da nossa viagem pela Europa, que teve início em Paris e término em Veneza. Não tenha dúvidas: é um tempo muito curto para a quantidade de programas fantásticos que a cidade possui. Foi apenas um aperitivo para voltar em um outro momento, com mais calma para explorar melhor essa cidade que oferece tantas atrações.

Como se locomover

Chegamos no sábado no aeroporto de Heathrow. Nossa ideia era ir de uber ou táxi do aeroporto até o hotel. Mas, nossos planos mudaram quando conversamos com um dos funcionários do aeroporto ao informar sobre a acessibilidade do metrô, daí decidimos começar a viagem analisando o transporte público. Pegamos o metrô e descemos em uma estação acessível e com localização próxima ao nosso hotel: a estação King’s Cross. Desde a saída do aeroporto até a Kings Cross, encontramos banheiros acessíveis, pessoas preparadas para auxiliar viajantes com deficiência, elevadores e rampas com inclinações perfeitas! Se você tem disposição e condições físicas para essa empreitada, vale a pena! E a surpresa positiva estava apenas começando, pois na estação havia uma fila de táxis, onde todos eram acessíveis. Isso mesmo: além dos carros possuírem rampa, os motoristas têm treinamento para auxiliar pessoas com deficiência.

Todos os típicos ônibus londrinos, vermelhos e dois andares, são acessíveis para cadeirantes, com rampa automática e espaço reservado. O procedimento é simples, mas pode causar uma certa estranheza para quem não está habituado, porque se houver passageiros descendo, o motorista fechará a porta após a saída deles e a abrirá novamente, pois só assim conseguirá liberar a rampa.

É importante ter em mãos o cartão Oyster para pagar pela passagem, procurar por uma das maquininhas no ônibus e, então, só curtir a viagem. Para solicitar a parada, há um botão próximo ao local reservado ao cadeirante, que deverá ser acionado pouco antes do ponto onde desejar parar. O curioso é que não há cintos de segurança, porém como os ônibus são modernos e as ruas são bem cuidadas, eles trafegam sem solavancos, o que garante a estabilidade e conforto. Somado a isso, há avisos indicando que pessoas sem deficiência ou carrinhos de bebê devem ceder o local aos cadeirantes. Todas as vezes que pegamos ônibus nós nunca tivemos quaisquer problemas; as pessoas rapidamente liberavam o espaço.

Onde ficar

É uma alternativa interessante ficar em um hotel próximo a uma estação acessível de metrô. Pesquisando no hotéis.com , encontramos um hotel em conta, o Point A Hotel London Shoreditch, onde acabamos nos hospedando. Porém, ele fica um pouco distante dos pontos turísticos. Apesar disso, o quarto para cadeirantes atendeu bem às nossas necessidades: espaço suficiente para a circulação e com o banheiro acessível.

Passeios

Com uma cidade riquíssima de programas para todos os gostos, foi difícil escolher onde ir e o que conhecer. Então, começamos nosso domingo na Columbia Road Flower Market, o mercado de flores mais simpático da cidade, que reúne várias pessoas em uma região está distante do jeitão aristocrático londrino. Claro que as barraquinhas de flores são a principal atração da rua aos domingos, mas além de brechós e lojas de artigos vintage há várias lojinhas fofas, galerias de arte e lojas de artigos de decoração. E se bater uma fome, há também cafés, restaurantes e pubs. Só precisa ter atenção se você sofrer de claustrofobia, porque em alguns pontos a feira fica bastante cheia. Nessa região de Londres, transitar não é simples para cadeirantes, porque o piso é de pedras, semelhante à calçada pé de moleque, e não há rebaixamentos. Mas quer saber? Se está acompanhado de alguém que tenha braços fortes para te ajudar, não deixe de ir. É simplesmente imperdível ouvir todos aqueles sotaques misturados e ter acesso a comida do mundo inteiro!

Apesar dessa dificuldade no mercado de flores, no geral, andar pelas ruas em Londres é grátis, agradável e divertido. Há rebaixamentos em todas as calçadas, que, em geral, estão em boas condições. Assim, seguimos em direção à torre de Londres, caminhamos pelos seus arredores e terminamos o dia tomando um café na Starbucks com um delicioso croissant de chocolate. Finalizamos a noite jantando em em um restaurante brasileiro chamado Maracanã.

Começamos o segundo dia expectativa de assistirmos a troca de guarda no Palácio de Buckingham. Confesso que curtimos muito mais ficar deitados nos jardins de Buckingham. Uma parada quase obrigatória para quem quer desfrutar um dos muitos espaços públicos agradáveis da cidade. As cores de outono, a brisa e o sol suave despertam a vontade de passar o dia por lá! Mas tínhamos como meta alcançar a Trafalgar Square. Após chegarmos à Trafalgar, aproveitamos a nossa localização e fomos conhecer a National Galery, onde estão quadros de artistas como Monet, Van Gogh, Leonardo Da Vinci, Michelângelo, que vão emocioná-lo. Assim como o British Museu, a Galeria Nacional é totalmente acessível (incluindo os banheiros) e gratuito.

Nossa parada para o jantar foi no restaurante Prezzo. Ótima escolha, acessível e com comida e atendimento excelentes. Já era noite quando saímos do restaurante, mas confesso que estava ansiosa para ver a London Eye à noite. Então, fomos desfrutando das lindas (e acessíveis) ruas londrinas para encontrar a famosa roda gigante e também o Big Ben, o relógio mais famoso do Reino Unido e que está em reforma há quase dois anos. Se tiver tempo, visitei os dois tanto durante o dia quanto à noite. São pontos turísticos que valem o repeteco.

Após o descanso de um dia intenso, iniciamos a programação no Museu Victoria and Albert, o maior museu de artes decorativas e design do mundo, que conta com uma coleção de 2,3 milhões de objetos e que cobrem 5.000 anos da criatividade humana e são procedentes de diversas culturas. O museu foi estabelecido em 1852, inicialmente para incentivar o design britânico e servir de inspiração para as gerações futuras. Atualmente, abriga fonte inesgotável para o estudo da arquitetura, mobiliário, moda, tecidos, fotografia, escultura, pintura, jóias, vidro, cerâmica, arte e design da Ásia, teatro e performance. Localizado na área nobre de South Kensington, o V&A, como é conhecido o museu, é vizinho dos museus da Ciência e de História Natural.

É um museu imenso, com 145 galerias cobrindo mais de 50 mil metros quadrados e quase 60 mil itens em exposição. O mesmo tem 7 andares e a coleção se divide nas seguintes áreas: Ásia, Europa, Materiais e Técnicas, Modernidade (século XX) e Exposições. Em alguns espaços, pode parecer que não há rampas ou elevadores. Peça ajuda a um dos funcionários do museu e descobrirá que é possível acessar qualquer parte do interior do prédio.

Saímos do museu e fomos caminhar pela Knightsbridge. Aproveitamos o trajeto para conhecer a famosa loja Harrods. Para quem é apaixonado (assim como eu) pelo filme “Simplesmente amor”, já pode ter tido a curiosidade de conhecer a famosa loja de departamentos.

Ainda tínhamos energia para conhecer o Green Park e para irmos jantar na Piccadilly Circus. A caminhada é um pouco longa, mas vale muito a pena!

Seguimos pela Leicester Square e a parada obrigatória foi na M&M’s World, onde compramos muitas lembrancinhas para as crianças (incluindo nós mesmos!).

Antes de voltarmos ao hotel, passeamos pelas muitas lojinhas da China town e ficamos encantados com a diversidade da região.

Havíamos decidido conhecer o Museu Madame Tussaud, mas não compramos os ingressos antecipadamente. Para nossa surpresa, o lugar tem uma regra de aceitar apenas 3 cadeirantes por dia e ao chegarmos tal “cota” já estava preenchida. Então, se esse for um passeio que você queira muito fazer, indicamos comprar os ingressos com antecedência.

Com a mudança de programação, fomos ao British Museum. Lá você terá acesso ao admirável acervo egípcio, assírio, celta, romano, grego e muito mais. Fascinante é pouco. Quando há degraus para acesso a alguma obra, há rampa lateral ou elevador. Um deles estava com defeito, mas o outro estava funcionando. Além disso, passe pelas simpáticas lojinhas e traga as lembrancinhas mais fofas e criativas, como chá em latinhas com as ilustrações originas. Aproveite para tomar um chá no Great Court Restaurante e para conhecer o o maravilhoso do British Museum.

Já estava anoitecendo quando chegamos ao Covent Garden, que, em nossa opinião, é uma das regiões mais charmosas de Londres. Paramos para conhecer a 007 store e para jantar no restaurante Bill’s, onde experimentamos uma das melhores sobremesas da nossa viagem.

Começamos nosso último dia subindo Sky Garden e ganhamos como prêmio ter acesso a uma impagável vista da cidade, além de tirar uma foto clichê, claro! Em seguida, voltamos à London Eye, e dessa vez resolvemos subir a famosa roda-gigante londrina, que é um dos pontos turísticos mais disputados da cidade. Compramos um ingresso e a entrada do acompanhante do cadeirante é gratuita. Nesse dia, o céu estava claro, o que permitiu aquela vista panorâmica de 360º, que é de tirar o fôlego. A roda tem 135 metros de altura, e a volta completa leva meia hora. É segura para cadeirantes, que entram primeiro e saem por último. Dentro da cápsula, há bancos para aquelas pessoas que querem contemplar o espetáculo assentadas. O ingresso é caro, mas pode estar certo de que vale a pena.

A Catedral de São Paulo não poderia ficar de fora do nosso roteiro. Uma das mais belas igrejas da capital inglesa e um ícone arquitetônico da cidade, cujo edifício data do século XVII. A St. Paul’s Cathedral é um dos cartões-postais de Londres e possui um belíssimo edifício situado na região de Ludgate Hill.

É um dos lugares com maior visitação em Londres, por sua história, beleza e pelo fato da catedral contar com a segunda maior cúpula do mundo (ultrapassada apenas pela Basílica de São Pedro no Vaticano). A mesma entrou para o mundo turístico da capital da Inglaterra depois da cerimônia de casamento de Charles, Príncipe de Gales, com Lady Diana, em 1981. Infelizmente não é um ponto turístico acessível e pudemos visitar apenas a parte central da Catedral. Ainda assim, ficamos encantados com a beleza da arquitetura e da atenção dos funcionários locais com pessoas com mobilidade reduzida.

Terminamos nossa viagem admiramos o anoitecer na torre de Londres, tomando um chá e degustando um delicioso croissant de chocolate.

A querida Audrey dizia que Paris é sempre uma boa ideia. Mas, Londres? Londres é uma boa e acessível ideia!

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