Todo dia delas

Desde o lançamento do blog, já fomos convidados para participar de inúmeros eventos, projetos e entrevistas. Cada um deles com sua importante e impacto, mas, certamente, o projeto “todo dia delas” foi um dos mais envolventes. Isso porque ele trouxe como proposta, o compartilhamento de 365 histórias de mulheres que fazem a diferença. Tudo começou em 08 de março de 2018 e, ao longo do ano, tais histórias foram ouvidas de norte a sul do Brasil. Ser uma dessas mulheres fortes, empreendedoras e inspiradoras é, no mínimo, um impulso para seguir em frente.

O fato de estar entre mulheres tão incríveis significa que o termo “invisibilidade” é muito radical para caracterizar a presença da mulher com deficiência na sociedade? Alguns acreditam que sim, utilizando como exemplo as conquistas pessoais e profissionais da minha vida e o respeito que existe nas minhas relações. Acontece que, infelizmente, a minha realidade ainda é uma exceção dentro dos espaços nos quais estou inserida. Ainda estão vivas todas as memórias de dor, de incerteza, insegurança e desafios que caracterizaram os caminhos percorridos até o dia de hoje. E eu cuido para que elas permaneçam assim, cheias de vida, para que eu não caia na falsa sensação de que está tudo bem, enquanto milhares de outras mulheres com deficiência têm as suas vozes caladas.

Quando você se dá conta de que pertence a um grupo de minorias em espaços de poder, entende que cada vez que você falar, não estará falando apenas por você, mas por todos e todas aqueles (as) que tiveram a sua voz interrompida. Que cada espaço que você ocupe, será ocupado por mim e por todas aquelas que não tiveram as mesmas chances que eu. Que cada vez que eu planeje no meu futuro, eu pensarei em como contribuir para que cada espaço que eu passe esteja mais preparado, mais humano e equânime, para que outras pessoas o ocupem e exerçam o seu direito de serem quem são, quem desejam ser, como são. Que eu devo falar, ainda que a minha voz trema.

Para contribuir com a eliminação da invisibilidade da mulher com deficiência, é necessário compreender e transformar a percepção que algumas pessoas têm de que é “fofo” e “carinhoso” falar com você sempre no diminutivo (bonitinha, fofinha, gracinha, que roupinha mais lindinha). É estar preparado para não admitir que as suas relações orbitem entre a infantilização e a marginalização. É preciso se preparar para superar as expectativas, sobretudo aquelas que mensuram a sua capacidade de acordo com pré-conceitos. É enfrentar, mas também é compreender o tempo daqueles que ainda não se abriram para a diversidade do mundo.

Talvez o meu tamanho de um metro seja a forma mais impactante do outro perceber a urgência de enxergar além dos olhos. E, para isso, você precisa estar pronta. Pronta para lidar com certa crueldade, pronta para lidar com a ignorância. Mas, também pronta para desfrutar de todos os frutos maravilhosos que só o trabalho constante traz. Pronta para viver o amor de alguém que lhe vê completa, inteira e mulher.

“Quando uma mulher se movimenta, toda a sociedade avança”…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s