Caso Bettina – por que somos atraídos por ganhos fáceis e rápidos?

O “caso Bettina”, termo usado para referir-se a uma série de peças publicitárias veiculadas nas redes sociais pela Empiricus, virou um dos assuntos mais comentados na internet durante as últimas semanas. Durante elas, a garota, com menos de 30 anos, conta como enriqueceu rapidamente começando com um pouco mais de R$1.000,00 e, por isso, diz ter a receita milionária infalível e promete o mesmo resultado a todos que seguirem seus conselhos.

A repercussão foi grande, mas não necessariamente positiva, visto que rendeu à empresa uma multa de R$ 9 milhões. Mas, por que até mesmo pessoas com boa formação e capacidade analítica, muitas vezes, caem em contos do vigário, agindo por impulsividade?

Essa pergunta me lembra um pouco a abordagem que muitas pessoas utilizavam comigo quando eu comecei a ser aprovada em concursos públicos. Muitas acreditavam que eu tinha um certo dom para lidar com as provas, simplesmente ignorando a disciplina necessária para manter o ritmo de estudo ao longo de meses.

Acontece que todos nós temos uma certa atração por prazeres, benefícios e pelo caminho fácil, o que muitas vezes nos leva a comportamentos impulsivos. Assim, em mundo que está repleto de ofertas atraentes, é muito importante entender como nós fazemos escolhas e quais são os fatores envolvidos nesse processo de tomada de decisão.

Muitas áreas das ciências sociais, estudam sobre os chamados vieses cognitivos: jeitos pelos quais olhamos parcialmente as informações e decidimos de forma rápida e automática qual será nossa ação. Um exemplo evidente nessa história é o viés de excesso de confiança, que leva a um otimismo exagerado, agindo de maneira precipitada para resolver instantaneamente nossas angústias e nos sentirmos seguros. É nosso sistema límbico-emocional, rápido e automático em ação. Esse sistema é muito eficiente em garantir a nossa sobrevivência e em fazer com que as motivações escondidas prevaleçam, mesmo que sejam, num primeiro momento, contrárias às atitudes mais racionais e lógicas.

Neste contexto, é a emocionalidade que faz com que a gente se sinta atraído e caia no “conto de fadas” e que também nos tira do engodo. Não adianta querermos contar com a racionalidade e depender da cognição para fazer as análises e interpretações e então decidir, já que tudo acontece muito rapidamente e é determinado pelo sistema emocional. Rapidamente já resolvemos se acreditamos ou não na história e agimos com base nas crenças construídas.

Assim, nossa melhor ação é desenvolver a consciência sobre a nossa vulnerabilidade emocional, de nossos desejos e angústias. Conhecer os modos pelos quais criamos as nossas crenças e percepções possibilita acender uma luz amarela e criar um espaço de tempo entre a impulsividade e a ação, aumentando, assim, a probabilidade de uma decisão mais benéfica. Quanto mais praticamos esse processo, mais reforçamos as novas conexões neurais, até que esses novos circuitos se tornem fortes o suficiente e passem a ser os preferenciais. Dessa forma, a tendência é que passemos, naturalmente, e sem esforço, a ser menos suscetíveis à impulsividade e aos golpes atraentes aplicados diariamente no mundo em que vivemos.

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