Ode ao amor: uma noiva cadeirante e nada convencional

Ode ao amor: uma noiva cadeirante e nada convencional

 O post sobre nosso noivado foi o mais lido do blog, engrossando o coro de estatísticas contra aqueles que acreditam que falar de amor é piegas. Talvez não seja claro para muitas pessoas, mas a qualidade dos nossos relacionamentos determina a qualidade de nossas vidas. Por exemplo: diga como você foi amado quando criança que, quase certamente, eu lhe direi como você ama quando adulto. Este é um dos primeiros lugares onde nós aprendemos a (e como) amar.

citei em outras oportunidades o quanto eu sou escandalosamente apaixonada pelo mar e para usufruir dessa riqueza única e me banhar nessa imensidão, eu sempre precisei estar amparada por alguém. Nesse último final de semana, pela primeira vez eu fiz esse ritual acompanhada do meu noivo. Para alguns, pode ser um simples banho de mar. Para nós, foi um ponto máximo de comunhão, o pico da felicidade serena, aquela que só pode nascer de relacionamentos robustos que permitem incorporar todas as partes de você mesma.  Continue lendo “Ode ao amor: uma noiva cadeirante e nada convencional”

Autoconhecimento: uma viagem sem destino final

Autoconhecimento: uma viagem sem destino final

“Aquele que não enxerga, não sabe o que não vê; se ele soubesse o que não vê, de alguma forma já estaria vendo. Já aquele que vê, pensa que tudo que vê é o que é, mas se ele soubesse que nem tudo que ele vê é o que é, de alguma forma já estaria vendo” é um dos trechos mais reflexivos do monólogo “A alma imoral”, obra de Nilton Bonder.

E sobre nós? O que mais conseguimos ver além do que nos mostra o reflexo do espelho? Quem eu seria se apenas soubesse que sou a aparência que causa surpresa em olhares que me veem pela primeira vez? Continue lendo “Autoconhecimento: uma viagem sem destino final”

Noivado nas nuvens

Noivado nas nuvens

Certamente casar na igreja estava longe de ser um item na minha Bucket List. Para quem gosta de classificações, a justificativa poderia ser que a geração Y está impregnada por amores líquidos, afinal, é aparentemente rápido e fácil descartar coisas e também pessoas. O resultado? Relações frágeis e pouco duradouras. Mas essa justificativa me parece um pouco rasa e incompleta.

Aprofundando um pouco mais esse ponto de reflexão, é fácil perceber o desafio que é ter e manter um relacionamento saudável. Muito além de aprender a lidar com as manias e imperfeições do outro, você se depara constantemente com aquele seu lado que não é tão bonito e que seu orgulho teima em não lhe permitir enxergar. É através do outro que nós somos. O relacionamento com intimidade ajuda a nos mantermos honestos pois um pode passar a ser ao outro uma espécie de espelho. Continue lendo “Noivado nas nuvens”

“Vocês” em: A anulação da individualidade

“Vocês” em: A anulação da individualidade

Uma das coisas mais curiosas de se ter uma deficiência aparente é, frequentemente, ter que ouvir as sugestões de pessoas (quase sempre desconhecidas). Geralmente são sugestões que povoam o imaginário coletivo (fruto do senso comum). Uma das mais comuns é sobre o fato de eu não usar uma cadeira de rodas motorizada. “Afinal, é claro que a vida de ‘vocês’ fica mais fácil usando uma cadeira de rodas motorizada. Vocês devem cansar muito os braços”. Fala sério, você já experimentou determinar as especificações das lentes de alguém que usa óculos de grau e afirmar que aquele deve ser o modelo ideal para todos? Será que é possível colocar todas as pessoas que usam óculos de grau em um pacote com o rótulo “vocês”?

Pode parecer um exemplo esdrúxulo, mas representa exatamente o que fazemos. Anulamos a individualidade do outro e ainda pode-se achar que estamos sendo gentis e educados, anjos imaculados cercados de boas intenções, mas, em geral, estamos sendo chatos e derramando nossos padrões, muitas vezes infectados por pré-conceitos, em cima da singularidade alheia.

Continue lendo ““Vocês” em: A anulação da individualidade”

EU AMO, TU AMAS, ELES AMAM – SEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA

EU AMO, TU AMAS, ELES AMAM – SEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA

Amor é um direito humano (sexo também?)

Não é uma novidade o anseio social de ditar regras para o desejo do outro, que pode se manifestar em um comportamento quase doentio de disciplinar os corpos alheios. Muitas vezes ignoramos – por desconhecer ou por desejar usurpar o direito do outro – que a sexualidade se manifesta no ser humano e pode se expressar através da construção de gênero, do desejo e do estabelecimento de relações afetivas e sexuais.

Isso faz com que a discussão sobre tal assunto ainda esbarre em diversos tabus. Tais bloqueios são ainda mais intensos quando o tema sexualidade vem associado à deficiência, de modo que, em grande parte pela falta de conhecimento, são propagados e perpetuados mitos, tais como: Continue lendo “EU AMO, TU AMAS, ELES AMAM – SEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA”

“Quando nada é certo, tudo é possível”

“Quando nada é certo, tudo é possível”

Ossos de vidro e nervos de aço

Em um dos clássicos (e lindos) filmes franceses lançados na década passada, a protagonista de Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) esbarra com um inusitado personagem: o velho do apartamento ao lado, um recluso e solitário parisiense chamado Raymond Dufayel (Serge Merlin), obscuro pintor com uma patologia denominada Osteogenesis Imperfeita, que o torna frágil como um graveto. É ele que diz uma das mais célebres frases do filme: “Os teus ossos não são feitos de vidro. Pode suportar alguns baques da vida”.

Muito embora seja uma frase inspiradora para pessoas sem deficiência aparente, uma das primeiras perguntas que surgem em minha mente inquieta é: e quem tem ossos de vidro não é capaz de suportar os baques da vida? Talvez seja difícil suportar os “baques” concretos, aqueles que levam nossos corpos ao chão. Mas, e aqueles que doem na alma?

Continue lendo ““Quando nada é certo, tudo é possível””