Cadeira de rodas: prisão ou liberdade?

Cadeira de rodas: prisão ou liberdade?

No último dia 14 de março, morreu o físico Stephen Hawking. Para alguns, um gênio paralisado. Para outros, um aventureiro que, mesmo com graves limitações físicas, conheceu todos os continentes, com exceção da Oceania, andou de submarino, voou em um balão e, até mesmo, em um avião que fez uma série de manobras para produzir uma situação de gravidade zero. Continue lendo “Cadeira de rodas: prisão ou liberdade?”

8 de março: desconstruindo a invisibilidade da mulher com deficiência

8 de março: desconstruindo a invisibilidade da mulher com deficiência

Conheço muitas pessoas que acham o termo “invisibilidade” muito radical para caracterizar a presença da mulher com deficiência na sociedade. Alguns argumentam exemplificando as conquistas pessoais e profissionais da minha vida e o respeito que existe nas minhas relações. Acontece que, infelizmente, a minha realidade ainda é uma exceção dentro dos espaços nos quais estou inserida. Ainda estão vivas todas as memórias de dor, de incerteza, insegurança e desafios que caracterizaram os caminhos percorridos até o dia de hoje. E eu cuido para que elas permaneçam assim, cheias de vida, para que eu não caia na falsa sensação de que está tudo bem, enquanto milhares de outras mulheres com deficiência têm as suas vozes caladas. Continue lendo “8 de março: desconstruindo a invisibilidade da mulher com deficiência”

Saber ressignificar: a oportunidade de ser líder de si mesmo

Saber ressignificar: a oportunidade de ser líder de si mesmo

O hábito de dar um novo significado às nossas experiências e aos acontecimentos que nos ocorrem, quando é fruto de um processo de descobrimento de quais são as nossas crenças limitantes, não deve ser confundido com fuga da realidade ou visão imatura sobre a vida.

Ao colocarmos a nossa habilidade de ressignificar em função da nossa transformação pessoal, não estamos sofrendo com a “síndrome da Pollyana”, construindo um mundo onde todas as pessoas são boas e jogando o “jogo do contente”, que procura tirar o melhor de cada situação.

Em uma das alegorias mais importantes da história da Filosofia, Platão, em o Mito da Caverna, traz a reflexão sobre a visão distorcida que os seres humanos têm da realidade. Não vemos a realidade, mas nossa projeção da realidade. Continue lendo “Saber ressignificar: a oportunidade de ser líder de si mesmo”

Quem você pensa que é?

Quem você pensa que é?

Último post do ano! O primeiro final de ano do Destinos Acessíveis e em apenas dois meses eu, que recebi várias mensagens e e-mails durante esse período, certamente aprendi muito mais do que acreditei poder ter ensinado.
“Quem você pensa que é?” é uma pergunta que pode soar como arrogante na maioria dos contextos aos quais ela é aplicada, entretanto, ela foi uma das bases para muitos dos nossos posts neste ano, visto que “Conhecer o que está dentro para transformar o que está fora” extrapola a ocupação de espaços físicos e envolve, sobretudo, o processo de autoconhecimento de cada um. Continue lendo “Quem você pensa que é?”

Autoconhecimento: uma viagem sem destino final

Autoconhecimento: uma viagem sem destino final

“Aquele que não enxerga, não sabe o que não vê; se ele soubesse o que não vê, de alguma forma já estaria vendo. Já aquele que vê, pensa que tudo que vê é o que é, mas se ele soubesse que nem tudo que ele vê é o que é, de alguma forma já estaria vendo” é um dos trechos mais reflexivos do monólogo “A alma imoral”, obra de Nilton Bonder.

E sobre nós? O que mais conseguimos ver além do que nos mostra o reflexo do espelho? Quem eu seria se apenas soubesse que sou a aparência que causa surpresa em olhares que me veem pela primeira vez? Continue lendo “Autoconhecimento: uma viagem sem destino final”

“Vocês” em: A anulação da individualidade

“Vocês” em: A anulação da individualidade

Uma das coisas mais curiosas de se ter uma deficiência aparente é, frequentemente, ter que ouvir as sugestões de pessoas (quase sempre desconhecidas). Geralmente são sugestões que povoam o imaginário coletivo (fruto do senso comum). Uma das mais comuns é sobre o fato de eu não usar uma cadeira de rodas motorizada. “Afinal, é claro que a vida de ‘vocês’ fica mais fácil usando uma cadeira de rodas motorizada. Vocês devem cansar muito os braços”. Fala sério, você já experimentou determinar as especificações das lentes de alguém que usa óculos de grau e afirmar que aquele deve ser o modelo ideal para todos? Será que é possível colocar todas as pessoas que usam óculos de grau em um pacote com o rótulo “vocês”?

Pode parecer um exemplo esdrúxulo, mas representa exatamente o que fazemos. Anulamos a individualidade do outro e ainda pode-se achar que estamos sendo gentis e educados, anjos imaculados cercados de boas intenções, mas, em geral, estamos sendo chatos e derramando nossos padrões, muitas vezes infectados por pré-conceitos, em cima da singularidade alheia.

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“Quando nada é certo, tudo é possível”

“Quando nada é certo, tudo é possível”

Ossos de vidro e nervos de aço

Em um dos clássicos (e lindos) filmes franceses lançados na década passada, a protagonista de Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) esbarra com um inusitado personagem: o velho do apartamento ao lado, um recluso e solitário parisiense chamado Raymond Dufayel (Serge Merlin), obscuro pintor com uma patologia denominada Osteogenesis Imperfeita, que o torna frágil como um graveto. É ele que diz uma das mais célebres frases do filme: “Os teus ossos não são feitos de vidro. Pode suportar alguns baques da vida”.

Muito embora seja uma frase inspiradora para pessoas sem deficiência aparente, uma das primeiras perguntas que surgem em minha mente inquieta é: e quem tem ossos de vidro não é capaz de suportar os baques da vida? Talvez seja difícil suportar os “baques” concretos, aqueles que levam nossos corpos ao chão. Mas, e aqueles que doem na alma?

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