Autoconhecimento: uma viagem sem destino final

Autoconhecimento: uma viagem sem destino final

“Aquele que não enxerga, não sabe o que não vê; se ele soubesse o que não vê, de alguma forma já estaria vendo. Já aquele que vê, pensa que tudo que vê é o que é, mas se ele soubesse que nem tudo que ele vê é o que é, de alguma forma já estaria vendo” é um dos trechos mais reflexivos do monólogo “A alma imoral”, obra de Nilton Bonder.

E sobre nós? O que mais conseguimos ver além do que nos mostra o reflexo do espelho? Quem eu seria se apenas soubesse que sou a aparência que causa surpresa em olhares que me veem pela primeira vez? Continue lendo “Autoconhecimento: uma viagem sem destino final”

“Vocês” em: A anulação da individualidade

“Vocês” em: A anulação da individualidade

Uma das coisas mais curiosas de se ter uma deficiência aparente é, frequentemente, ter que ouvir as sugestões de pessoas (quase sempre desconhecidas). Geralmente são sugestões que povoam o imaginário coletivo (fruto do senso comum). Uma das mais comuns é sobre o fato de eu não usar uma cadeira de rodas motorizada. “Afinal, é claro que a vida de ‘vocês’ fica mais fácil usando uma cadeira de rodas motorizada. Vocês devem cansar muito os braços”. Fala sério, você já experimentou determinar as especificações das lentes de alguém que usa óculos de grau e afirmar que aquele deve ser o modelo ideal para todos? Será que é possível colocar todas as pessoas que usam óculos de grau em um pacote com o rótulo “vocês”?

Pode parecer um exemplo esdrúxulo, mas representa exatamente o que fazemos. Anulamos a individualidade do outro e ainda pode-se achar que estamos sendo gentis e educados, anjos imaculados cercados de boas intenções, mas, em geral, estamos sendo chatos e derramando nossos padrões, muitas vezes infectados por pré-conceitos, em cima da singularidade alheia.

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“Quando nada é certo, tudo é possível”

“Quando nada é certo, tudo é possível”

Ossos de vidro e nervos de aço

Em um dos clássicos (e lindos) filmes franceses lançados na década passada, a protagonista de Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) esbarra com um inusitado personagem: o velho do apartamento ao lado, um recluso e solitário parisiense chamado Raymond Dufayel (Serge Merlin), obscuro pintor com uma patologia denominada Osteogenesis Imperfeita, que o torna frágil como um graveto. É ele que diz uma das mais célebres frases do filme: “Os teus ossos não são feitos de vidro. Pode suportar alguns baques da vida”.

Muito embora seja uma frase inspiradora para pessoas sem deficiência aparente, uma das primeiras perguntas que surgem em minha mente inquieta é: e quem tem ossos de vidro não é capaz de suportar os baques da vida? Talvez seja difícil suportar os “baques” concretos, aqueles que levam nossos corpos ao chão. Mas, e aqueles que doem na alma?

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